NOTÍCIAS :: BR :: Audiodescrição promove a inclusão cultural de deficientes visuais

Recurso é uma espécie de tradução simultânea das imagens de filmes, exposições e outros eventos

Filmes, peças teatrais, exposições, mostras, palestras. Eventos culturais que são, quase sempre, recheados de imagens e elementos iconográficos. Imagine então estar em eventos como esses de olhos fechados. É assim que muitos deficientes visuais se sentem quando vão ao cinema, ao teatro e ao museu.

Mas um recurso de acessibilidade promete mudar essa realidade. Como? “Transformando o visual em verbal. Tudo o que é imagem, é transformado em palavras”, resume Lívia Maria Villela de Mello Mota, que coordenou um curso promovido pela Associação Mulher Unimed do Estado de São Paulo (Amusp) para voluntários das Associações Mulher Unimed (AMUs) Paulistas. Entre outubro e novembro, representantes de 10 cidades puderam conhecer melhor a técnica da Audiodescrição.

O recurso possibilita que deficientes visuais compreendam a linguagem visual de uma série de eventos. Ao intercalar a “tradução das imagens” entre as falas de filmes, documentários e atos teatrais, por exemplo, é possível “mostrar” ao ouvinte detalhes do contexto artístico como os figurinos, cenários, movimentos e gestos. Sem essa descrição, muitas vezes, fica quase impossível compreender a mensagem.

Para Ailton Alves Guimarães, da AMU de São Carlos, que é deficiente visual, o recurso é fundamental. “Eu acho muito bom porque para nós deficientes visuais a audiodescrição vai descrever filmes de cinema, televisão. A gente acaba conhecendo os filmes, o figurino, os personagens. Porque isso não era passado para nós cegos. E outra: você vai estar ligado à cultura”.

Quando gravada, a audiodescrição é uma espécie de legenda em áudio, que é inserida entre as falas dos personagens. Mas quando é ao vivo, a técnica funciona como uma tradução simultânea e o deficiente visual pode receber as informações por meio de um fone de ouvido.

Mas a audiodescrição que, inicialmente é um recurso para deficientes visuais, pode beneficiar pessoas com deficiência intelectual, dislexia e idosos. “O benefício também é para o audiodescritor, com a ampliação do acervo de palavras, ampliação da fluência verbal, poder de observação”, pondera Lívia Mota, que foi responsável pela preparação dos audiodescritores da primeira peça brasileira com audiodescrição no Brasil, no Teatro Vivo.

Acessibilidade multiplicada

Formar uma turma de audiodescritores envolve um ideal: disseminação do conhecimento e aplicação na promoção da cultura, do ensino e do lazer. “Queremos expandir e fortalecer a inclusão dos deficientes visuais, que já é realizada por meio dos projetos e programas, mas de uma maneira mais ampla, em cada local de atuação. Ao capacitar os voluntários das AMUs, estamos formando multiplicadores e abrindo oportunidades para que cada vez mais pessoas utilizem esse recurso de acessibilidade, o  qual amplia o entendimento das pessoas com deficiência visual e possibilita que as mesmas ouçam o que é apreciado verbalmente. É uma questão de dignidade, de respeito a esses cidadãos”, afirmou a presidente da Amusp, Maria Edna Gomes Maziero.

Para os participantes do curso, a oportunidade amplia o conceito de acessibilidade. Helena Aparecida Agostinho, que é contadora de histórias na Associação dos Deficientes Visuais de Ribeirão Preto (Adevirp) considera que o trabalho voluntário vai ser aprimorado a partir de agora. Maria Ramiltes Rodrigues Cortez, ledora no projeto audiolivro da AMU de Bragança Paulista também acredita nesse potencial. “Nós não descrevíamos as imagens dos livros porque não sabíamos qual era a maneira correta de fazer isso. Agora vou poder ler com mais detalhes”, disse.

“Eu acho que a audiodescrição está chegando na hora certa. Está se falando tanto de inclusão cultural e social de todos os deficientes, para evitar a exclusão na sociedade”, afirmou Rodrigo Leonel dos Santos, que é voluntário da AMU de Bauru e do projeto de extensão da Escola Santa Luzia para deficientes visuais.

Antonio Dias de Souza Filho, que é voluntário na AMU em Ibitinga e há 15 anos trabalha com teatro, acredita que será uma maneira nova de disseminar a inclusão dos deficientes. Já para Dra. Eliza Katayama Otani, presidente da AMU Centro-Oeste Paulista, que também participou do curso, o recurso vai além. “A audiodescrição não é só importante para a acessibilidade das pessoas com deficiência visual, mas para permitir que as próprias famílias comecem a incluí-los na sociedade, desde cedo, mostrando o mundo para eles. Detalhando cada passo, cada objeto, cada ambiente da casa”.

Fonte: Amusp

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